A inauguração, esta sexta-feira, 8 de agosto, do novo posto de combustíveis da Repsol em Vila Verde, trouxe à tona um conjunto de polémicas que datam desde a sua construção. Situado junto ao Cemitério de Vila Verde e a escassos metros de várias escolas, o projeto foi amplamente criticado pela comunidade local e por diferentes partidos, nomeadamente o Partido Socialista.

A polémica começou em 2023, quando o Partido Socialista manifestou-se contra o licenciamento deste posto de combustíveis, destacando os riscos associados à sua localização. O PS apontou a proximidade do cemitério, o impacto na segurança das crianças, dado estar situado perto de escolas, e a existência de outros dois postos de combustíveis na área, como argumentos para a rejeição do projeto.

Filipe Silva (PS) tinha dúvidas sobre o licenciamento devido à contiguidade com uma zona residencial e comercial, à compatibilidade com o PDM e à proximidade à escola

“Nunca deveria ter sido autorizado… logo junto ao cemitério!”

Em declarações ao Semanário VOX, moradores da zona expressaram revolta face à decisão da Câmara Municipal de Vila Verde, liderada pela social-democrata Júlia Fernandes. Um residente afirmou: “Nunca deveria ter sido autorizado… logo junto ao cemitério! Se fosse para eu construir uma casa para lá morar, de certeza que não me deixavam.” Outro residente questionou: “Mais uma bomba de gasolina junto às escolas?! É uma vergonha!”

O processo de licenciamento foi conduzido pela Câmara Municipal, e a sua aprovação gerou fortes críticas, nomeadamente pelo impacto que teria no fluxo de trânsito na principal via de entrada no centro de Vila Verde. Para o Partido Socialista, a instalação do posto na zona urbana densamente povoada não respeitava os princípios de segurança e qualidade de vida dos vila-verdenses, sendo sugerido, em alternativa, que o terreno fosse utilizado para um espaço de lazer.

Controvérsia sobre a gestão do PDM e envolvimento familiar

Outro ponto de discórdia prende-se com a empresa responsável pela construção do posto: a GeneralServ – Gestão e Serviços, S.A., pertencente à família de João Rodrigues, candidato à Câmara Municipal de Braga pelo PSD. A ligação familiar e o envolvimento de uma empresa ligada ao setor político geraram discussões sobre a transparência do processo e a gestão dos interesses locais.

Em 2023, foi também noticiado que a empresa do pai de João Rodrigues pagou uma quantia superior a 194 mil euros à empresa de Luís Montenegro, atual primeiro-ministro, para serviços de proteção de dados. Este valor gerou debates sobre os interesses empresariais e políticos que se entrelaçam com o projeto.

Sistema de pré-pagamento gera frustração

Mas as críticas não se ficam apenas pela localização e envolvimento político. Hoje, com a abertura do posto, a frustração dos clientes é visível. O posto funciona exclusivamente com o sistema de pré-pagamento, algo que tem gerado desconforto entre os automobilistas locais. “As pessoas chegam, são impedidas de abastecer, pousam e vão embora”, relatou um cliente irritado à nossa redação. Outros residentes foram mais duros nas críticas, dizendo que a Repsol “deve achar que estão no Brasil”, numa clara alusão à comparação com a elevada criminalidade do país.

A Repsol tem defendido que o sistema de pré-pagamento visa facilitar a experiência do cliente e garantir maior segurança, mas para muitos, a medida tem sido uma fonte de desapontamento.

Impacto na comunidade local

A criação do novo posto de combustível ao lado do cemitério, das escolas e em uma zona já saturada de estabelecimentos do mesmo género, continua a ser um ponto de debate intenso. A falta de consenso sobre o impacto social e urbanístico da obra reflete-se no crescente descontentamento dos moradores de Vila Verde.

O futuro deste novo posto de combustíveis está, assim, longe de ser pacífico. Além das críticas em relação ao impacto ambiental e social, a estrutura gerou divisões tanto entre os políticos como entre os cidadãos, tornando-se um novo ponto de controvérsia na vida política e social de Vila Verde.