A Câmara de Braga fechou esta semana uma das peças políticas mais aguardadas desde o arranque do mandato: a distribuição de pelouros. Mas o anúncio trouxe um dado que mexeu com o xadrez local. Catarina Miranda Basso Marques, eleita pela coligação Somos Braga (PS/PAN), deixa de representar a força partidária que a levou ao Executivo e passa a desempenhar funções como independente. E não só mantém responsabilidades, como assume um conjunto de áreas sensíveis: Cultura, Património Cultural e Educação Artística.
O detalhe não é menor. Em Braga, onde a maioria tem vivido por fios curtos e negociações constantes, a saída de uma vereadora da esfera socialista altera equilíbrios e abre margem para interpretações várias. No comunicado divulgado ao final da manhã, a autarquia sublinha o “clima de cooperação institucional” que marcou as conversas entre João Rodrigues e os primeiros eleitos de cada partido. O presidente tem repetido que quer uma governação “plural e estável”, e esta distribuição de pastas acaba por mostrar até onde está disposto a ir: integrar uma vereadora que se desvincula da coligação original, preservando-lhe pelouros estratégicos.
As reuniões preparatórias, que decorreram nos últimos dias no edifício do Campo das Hortas, serviram para afinar pontos de contacto entre os vários grupos políticos e limar divergências. A versão oficial fala em “diálogo leal”, “convergências concretas” e “respeito pela diferenciação política”. Uma espécie de pacto tácito para garantir que as decisões essenciais — urbanismo, mobilidade, habitação, coesão social — sobrevivem às inevitáveis fracturas partidárias.
No topo da hierarquia, João Rodrigues concentra áreas nucleares como Urbanismo, Mobilidade, Habitação e Inovação. Altino Bessa fica com a máquina pesada do município: Obras Públicas, Fiscalização, Protecção Civil, Ambiente e Espaços Verdes. Hortense Lopes dos Santos continuará com a pasta social, desde a Educação à Juventude e Igualdade.
Mas é a situação de Catarina Basso Marques que marca a nota política da semana. A autarca, agora independente, mantém a Cultura e o Património Cultural — dois dossiês que, em Braga, costumam gerar debate intenso, entre programações de largo alcance e a pressão para preservar memória, edifícios e festivais que definem a identidade da cidade.
A Câmara garante que as portas continuam abertas para reuniões regulares com a oposição e que “todos os cenários” permanecem em cima da mesa. A partir de hoje, esse “todos” passa também por integrar no Executivo uma independente que saiu da coligação que ajudou a eleger o governo municipal. Um movimento discreto, mas com implicações claras no mapa político bracarense.
