Kiev foi alvo de um ataque de larga escala durante a última noite e madrugada, com a Rússia a lançar uma combinação massiva de drones e mísseis contra a capital ucraniana. As explosões provocaram incêndios em vários bairros, destruíram edifícios residenciais e causaram a morte de quatro pessoas, deixando pelo menos 25 feridas, segundo as autoridades locais.
O ataque, descrito como um dos mais intensos das últimas semanas, envolveu cerca de 430 drones e 18 mísseis, incluindo mísseis balísticos e aerobalísticos, de acordo com informações avançadas pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, nas redes sociais. O chefe de Estado condenou o bombardeamento, classificando-o como um “ataque deliberadamente calculado para causar o máximo dano possível às pessoas e às infraestruturas civis”. Só em Kiev, dezenas de edifícios de apartamentos ficaram danificados.
As equipas de emergência responderam a múltiplos relatos de incêndios e desabamentos de estruturas. Pelo menos cinco pessoas foram hospitalizadas, incluindo um homem em estado crítico e uma mulher grávida. Entre os feridos encontram-se também duas crianças.
O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou que 11 edifícios residenciais de vários andares foram atingidos em diferentes zonas da cidade. Nos distritos de Shevchenkivskyi e Holosiivskyi, a queda de destroços provocou incêndios numa área aberta próxima de uma instalação médica e no interior de um edifício não residencial.
As autoridades municipais pediram aos residentes que permanecessem em abrigos até ao fim do alerta aéreo e alertaram para a possibilidade de cortes temporários de eletricidade e água.
Na região envolvente de Kiev, infraestruturas críticas e habitações privadas também sofreram danos. Em Bila Tserkva, um homem de 55 anos foi hospitalizado com queimaduras graves, segundo o responsável regional Mykola Kalashnyk.
A Força Aérea ucraniana confirmou ainda que ataques adicionais foram registados noutras partes do país, num momento em que a Rússia continua a ganhar terreno no sul da Ucrânia. As forças ucranianas recuaram de várias aldeias em Zaporíjia, após combates intensos.
O Ministério da Defesa russo afirmou, nas últimas quatro semanas, ter capturado várias localidades: nove em Donetsk, oito em Zaporíjia, sete em Dnipropetrovsk e cinco em Kharkiv. Ainda assim, analistas sublinham que a estratégia russa tem implicado elevadas baixas e desgaste significativo de equipamento.
O Instituto para o Estudo da Guerra referiu que o avanço russo sobre Pokrovsk tem sido lento, uma vez que a dispersão de recursos militares — incluindo forças especiais spetsnaz e operadores de drones — tem limitado a eficácia da ofensiva.
Enquanto isso, a Ucrânia tem reforçado ataques com drones de longo alcance contra alvos militares estratégicos dentro do território russo, numa tentativa de pressionar as capacidades logísticas e operacionais do exército adversário.
