A partir de abril, cada garrafa ou lata comprada vai passar a ter um pequeno custo adicional. São 10 cêntimos que não se perdem, mas ficam à espera de regressar ao bolso do consumidor. É este o princípio do novo Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebidas, que arranca no próximo mês sob a marca “Volta”.

O objetivo é claro: empurrar o País para uma economia mais circular e dar um salto nas taxas de reciclagem, que continuam longe das metas europeias. O sistema aplica-se a embalagens de bebidas em plástico, alumínio ou aço, até três litros, desde que identificadas com o símbolo Volta e com código de barras legível.

Na prática, ao comprar uma bebida, o consumidor paga mais 10 cêntimos. Esse valor pode depois ser recuperado quando a embalagem vazia é devolvida. O reembolso é flexível. Pode surgir num talão convertido em dinheiro, em descontos para compras futuras, através de meios digitais ligados a cartões de fidelização ou outras soluções eletrónicas. Há ainda a possibilidade de doar o montante a instituições.

O projeto é desenvolvido por um consórcio que junta os principais atores do setor. Do lado da produção, estão as indústrias dos refrigerantes, das águas e das cervejas, responsáveis por cerca de 90% da quota de mercado. Do lado da distribuição, entram as empresas do retalho alimentar, que representam aproximadamente 80% do setor.

A preparação do sistema foi feita em articulação com o Ministério do Ambiente e Energia e com o Ministério da Economia e da Coesão Territorial. A expectativa é que o SDR venha a alterar hábitos de consumo e a transformar embalagens usadas num recurso com valor, ainda que seja apenas de dez cêntimos de cada vez.