André Ventura voltou a brindar-nos com a sua “cultura”: disse, em vídeo, não acreditar no que lia, qual burro a olhar um Palácio – que o Presidente da República, com “o vosso dinheiro”, ia à Alemanha a uma festa de hambúrgueres.

A ignorância foi tanta que mereceu resposta popular imediata: vídeos de burros a rir em sobreposição à sua fala, memes a rodar e a frase de Truman Capote confirmada: “As latas vazias sempre fizeram mais barulho que as cheias. O mesmo acontece com os cérebros.”

O problema não é o lapso, é o padrão.

Ventura inventou que Marcelo fez 1550 viagens quando na realidade fez 165. Não é um erro de cálculo, é uma mentira descarada.

Depois, em vez de assumir, tentou justificar-se com o detalhe gráfico: faltava o Umlaut (trema). Pois bem: falta é o trema a Ventura — e somos todos nós que trememos perante tanta estultícia.

Esta cartilha não é nova.

A receita é de Roy Cohn, advogado, conselheiro de McCarthy, perseguidor de homossexuais apesar de viver na sua própria negação e mais tarde mentor de Donald Trump.
A regra é simples: quando erramos, nunca admitir. Atacar sempre. Ventura copia a fórmula.

Formado em Direito, prefere deformar a realidade. Mente, manipula, atira números ao acaso e ainda culpa um sinal gráfico da língua alemã pela sua ignorância.

E Ventura vive, acima de tudo, pela regra do Schadenfreude: esse prazer mesquinho pelo infortúnio alheio.

Não sabe alemão, mas rege-se por essa regra. É o populista mal formado que cresce a cada gargalhada maldosa, a cada mentira que alimenta raiva.

Mas atenção: a culpa não é só dele.

É também dos meus concidadãos que, vendo a ignorância e a mediocridade, ainda assim votam nele – a sondagem DN/Aximage publicada logo após o episódio dos hambúrgueres mostrou o Chega à frente nas intenções de voto.

Quem segue burro, burro é.

Para que não restem dúvidas: Ventura não é só ignorante, é o sumo pontífice da ignorância com megafone.

Perigoso, porque enquanto balbucia disparates embrulhados em piadas de tasca, vai corroendo a Democracia como ferrugem escondida debaixo da tinta, transformando o Parlamento num circo de terceira categoria.

E para fechar, vamos ajudá-lo a não voltar a confundir cultura com fast-food.
Achtung (Atenção!): Isto não é a Lacrimosa de Mozart.

É a obra Leck mich im Arsch (K. 231), autoria do mesmo (vejam o título no tradutor, não façam como o Ventura!)

Deixamos aqui o título e o link – https://lnkd.in/drut6NBi – para que o deputado Ventura possa usufruir e não vá pensar que é música religiosa (algo que deve gostar sobremaneira).

Não desejamos que, mais uma vez, faça figura de asno!