O Lixo em Vila Verde é uma novela bem antiga.

Não é de agora que a recolha do lixo é das mais deficitárias de toda a região. É um assunto muito recorrente nas assembleias municipais. A oposição, ao contrário do que muitos dizem, não acordou agora.

É um assunto que já cheira mal. Literalmente.

Tive a oportunidade de fazer, recentemente, uma intervenção em que chamava a atenção para a miserável narrativa do executivo municipal atribuir a culpa aos munícipes. A culpa da ineficiente recolha foi sempre direcionada aos residentes que colocavam o lixo fora de horas e fora dos locais. Essa mensagem, com pouco de verdade e muito de mentira, passada muitas vezes, acabou por vingar. De repente, toda a gente tinha um vizinho “porco” que encravava todo o sistema.

Quem estava mais atento sabia que essa narrativa servia para encobrir outros aspetos bem mais graves. A recolha era, realmente, insuficiente, mal calculada e, sobretudo, pouco fiscalizada pela câmara municipal.

Estavam previstos valores anuais para a sensibilização que nunca foram gastos e a dita sensibilização ficava-se por “vamos às escolas falar com os meninos uma vez por ano”. As penalizações à empresa de recolha não foram aplicadas e aos prevaricadores poucas ou nenhumas coimas foram passadas.

Quando, finalmente, cessou o contrato com a empresa anterior, que segundo a câmara, fazia uma bom trabalho, foi feito um novo concurso.

A oposição, mais uma vez, manifestou-se contra, principalmente porque o contrato que era de cinco anos passou a ser de dez anos. Alertamos que estaríamos perante um mau contrato. Alegamos que 10 anos é muito tempo e é impossível, num mundo em constante mudança, saber que tipo de lixo teremos em 10 anos. Basta ver que há 10 anos a situação era completamente diferente. A nossa opinião não foi considerada.

Nos últimos capítulos da novela “O Lixo em Vila Verde” temos assistido aos episódios mais negros. A situação ficou insustentável. A transição da antiga empresa para a nova empresa foi feita sem o acompanhamento devido e o resultado foi desastroso.

Lamentável foi o comportamento das instituições municipais envolvidas. Nunca foram prestados esclarecimentos de forma eficaz aos munícipes que pagam por um serviço deplorável. Em vez de ficarem ao lado da população tal como prometeram nas campanhas eleitorais, ficaram-se por declarações lacónicas, pouco claras, onde a única preocupação foi a defesa mútua e a velha narrativa que os munícipes é que têm culpa.

O próximo capítulo chama-se “Mês de Agosto”. Tem fama de cheirar sempre mal. Vamos ver como irá correr este ano.