A “Ditadura Fernandista” de Vila Verde sofreu recentemente o seu primeiro grande abalo. Dois dos últimos líderes da JSD concelhia decidiram romper com o próprio partido, num gesto que faz lembrar a revolta estudantil de Coimbra contra o regime do Estado Novo, um momento histórico que, como sabemos, marcou o início do fim da ditadura salazarista.

Em Vila Verde, este ato de rebeldia representa muito mais do que uma simples divergência política: é a prova de que, finalmente, alguns jovens do PSD estão a pensar e agir pela sua própria cabeça, libertando-se do jugo de José Manuel e Júlia Fernandes, dirigentes que sempre preferiram rodear-se de “laranjas” obedientes e servis.

Os protagonistas desta “revolta laranja” são Adriando Ramos, atual vereador da Juventude, natural de Moure mas com ligações afetivas a Aboim da Nóbrega, ares que, ao que parece, lhe deram coragem para romper as amarras do fernandismo, e Branca Malheiro. Ambos irão, segundo a imprensa local, integrar a lista do Chega candidata à Câmara Municipal, ocupando a segunda e terceira posições, respetivamente.

Esta decisão tem um peso político considerável. Até há pouco tempo, as eleições autárquicas de outubro pareciam resolvidas à partida, com mais um triunfo fácil do PSD local, sustentado na máquina de poder construída ao longo de quase três décadas. Mas com esta deserção de figuras jovens importantes e mediáticas, o jogo muda de figura. A disputa passa agora a ser direta entre o Chega e o PSD, as únicas candidaturas partidárias que, até ao momento, demonstram reunir força, estrutura e visibilidade para lutar pela vitória.

Mais importante ainda: pela primeira vez em muitos anos, a “Ditadura Fernandista” mostra fissuras sérias no seu casco. O risco de perder o poder é real e palpável. A candidatura do Chega é liderada por Filipe Melo, atual deputado e vice-secretário da Assembleia da República, que terá ao seu lado Adriando Ramos e Branca Malheiro, dois ex-líderes da JSD vila-verdense, agora transformados em adversários diretos do PSD local.

Este cenário é politicamente simbólico: mostra que a lealdade cega já não é regra absoluta no seio da juventude social-democrata vila-verdense e que há, finalmente, quem esteja disposto a quebrar o silêncio e enfrentar a ditadura instalada. Viva a democracia plena!

P.S.: É quase certo que, após a publicação deste artigo de opinião, a minha página de Facebook e a página do Semanário Vox serão inundadas por comentários de perfis falsos e “bots” afinados pela máquina de propaganda de JMF e seus fiéis lambe-botas. Não faltarão insultos, calúnias e a velha acusação de que sou “o cientista maluco de Aboim da Nóbrega”. A esses, respondo com orgulho: sou empresário, consultor, académico e cientista, e com ainda mais orgulho integro o restrito grupo dos 1% melhores cientistas do mundo, de acordo com três dos mais prestigiados rankings internacionais, que analisam todos os cientistas a nível global. O que me move é simples: liberdade de pensamento e desenvolvimento do meu concelho de forma inclusiva, com justiça e transparência. E isso, felizmente, nenhuma “ditadura local” me poderá tirar.