O Primeiro-Ministro Luís Montenegro, respondeu hoje no Parlamento às críticas feitas por André Ventura, recalcando os elogios do próprio Ventura aos hospitais públicos durante a sua campanha eleitoral, destacando o facto de o presidente do Chega ter classificado os serviços de saúde como “impecáveis”. Montenegro aproveitou para sublinhar que, apesar das dificuldades e constrangimentos enfrentados pelo SNS, a grande maioria dos serviços públicos de saúde tem correspondido adequadamente às necessidades dos cidadãos.

“Cada dificuldade que enfrentamos no SNS deve ser o nosso epicentro de preocupação. Não podemos esmorecer”, afirmou Montenegro. “No entanto, é importante reconhecer que, na esmagadora maioria dos casos, o SNS tem dado resposta às solicitações dos portugueses. Quem não o reconhecer, não está à altura da responsabilidade e está a aproveitar o sofrimento dos outros para fins políticos”, acrescentou, referindo-se também ao tratamento competente e dedicado dos profissionais de saúde.

O líder social-democrata destacou que, apesar de não ser possível resolver todos os problemas — em especial as questões relacionadas com as urgências, a obstetrícia e a pediatria —, o governo não está a “contemplar os problemas nem a exibir as dificuldades para tirar proveito político”. “Estamos a resolver”, sublinhou.

Em relação à situação das urgências em Setúbal, um dos exemplos mencionados por Ventura, Montenegro notou que, no primeiro trimestre de 2025, houve uma redução de encerramentos dessas urgências, e que no segundo trimestre houve uma diminuição de 33%. Para o mês de julho, a previsão é de uma redução de 27%, com uma melhoria de 100% na pediatria, o que significa que o encerramento das urgências em Setúbal está “para já resolvido”. Contudo, Montenegro deixou claro que a situação continua a ser monitorizada, frisando que o objetivo é “ver se conseguimos aguentar”.

Além disso, o líder do PSD reforçou que a partir de setembro será garantido atendimento de urgência 24h no Hospital Garcia da Orta, em Almada, na área da obstetrícia e ginecologia, tal como havia sido previamente anunciado. Referindo-se à situação das grávidas, Montenegro corrigiu-se, esclarecendo que não há “desproteção”, mas sim um “maior afastamento” dos cuidados médicos.