Filipe Silva critica gestão da Câmara Municipal de Vila Verde e aponta soluções para o problema do lixo no concelho

O líder do Partido Socialista de Vila Verde, Filipe Silva, emitiu um comunicado em que critica a gestão da Câmara Municipal, liderada por Júlia Fernandes (PSD) na recolha de resíduos urbanos e alerta para os impactos negativos da falta de planeamento, organização e estratégia na área da gestão de lixo. Silva considera que a situação, com toneladas de lixo acumuladas pelas ruas do concelho, é um sério risco para a saúde pública, além de contribuir para a degradação do espaço público e afetar a economia local.

De acordo com o socialista, o processo de transição do serviço de recolha de resíduos foi marcado por “amadorismo e desleixo”, evidenciando uma gestão deficiente que persiste há mais de 28 anos. Para o líder do PS, a falta de um plano adequado e de uma resposta eficaz tem levado ao caos no sistema de recolha de lixo, com consequências diretas para as populações e a qualidade de vida dos cidadãos.

Soluções propostas

Filipe Silva apresenta várias soluções para resolver o problema, começando por um maior envolvimento das Juntas de Freguesia no processo de gestão de resíduos. O líder socialista defende ainda que é necessário criar uma maior cultura de separação de resíduos, investir na sensibilização das populações e garantir uma comunicação clara e antecipada sobre a gestão dos resíduos urbanos.

O líder do PS também sugere que a Câmara Municipal passe a gerir internamente o serviço de gestão de resíduos, uma medida que, segundo ele, seria mais económica e proporcionaria uma melhoria na qualidade do serviço prestado à população. No entanto, essa posição levanta uma importante contradição. Em janeiro de 2025, a Câmara Municipal de Vila Verde, deliberou por unanimidade adjudicar a gestão do serviço à empresa «Luságua – Serviços Ambientais, S.A.», pelo valor de €8.115.923,16. Ou seja, os socialistas que agora defendem a municipalização do serviço de resíduos, em janeiro de 2025 aprovaram a sua privatização, gerando uma clara incoerência na sua posição política.

Contradição na postura socialista

Esta contradição reflete-se de forma evidente na postura do Partido Socialista, que, em janeiro, votou a favor da privatização e, meses depois, critica a própria escolha, defendendo agora que o serviço de recolha de resíduos deve ser gerido internamente pela Câmara Municipal. Filipe Silva e o seu partido parecem estar a navegar entre duas águas, o que levanta questões sobre a consistência das suas propostas e da sua capacidade para apresentar uma solução sólida e coerente para os problemas do concelho.

Critica ao executivo da Câmara

No comunicado, Silva não poupa críticas à atual gestão da Câmara Municipal, que, na sua opinião, falhou em questões fundamentais como a resolução dos problemas relacionados com o abastecimento de água, além da gestão de resíduos. O socialista acusa o executivo de manter um “silêncio ensurdecedor” sobre os problemas e de não prestar contas à população. Para Silva, a falta de transparência e de clareza nas respostas da Câmara é inaceitável, sendo a informação prévia uma obrigação em um regime democrático.

Desleixo e falta de compromisso

O líder socialista também destaca a postura do executivo municipal, que, segundo ele, se limita a aparecer publicamente em momentos de festa e inaugurações, enquanto se “refugia nos escritórios” durante as crises. Silva afirma que a responsabilidade de justificar os falhanços não deve ser atribuída à empresa concessionária, mas sim às instituições públicas que adjudicam os contratos, como a Câmara Municipal.

Transição sem preparação e apoio insuficiente à concessionária

Filipe Silva considera que a transição do serviço de recolha de resíduos foi realizada sem a preparação necessária e sem o envolvimento das Juntas de Freguesia, que poderiam ter contribuído para uma solução mais eficaz. A falta de apoio à empresa concessionária também é apontada como um dos fatores que agravaram a situação, uma vez que as rotas estabelecidas para a recolha de resíduos nem sempre corresponderam à realidade no terreno.

Oposição ao contrato de dez anos

O Partido Socialista de Vila Verde já havia manifestado a sua oposição ao contrato de dez anos para a recolha de resíduos urbanos, considerando-o precipitado. Silva argumenta que o período do contrato é excessivamente longo para um setor que está em constante mudança, e que a gestão interna do serviço poderia ser uma opção mais vantajosa para os contribuintes e para a qualidade do serviço.

28 anos de má gestão

Para o líder do PS, a situação atual é o reflexo de uma “má gestão crónica” que se arrasta há mais de 28 anos. A falta de incentivos à separação de resíduos, a ausência de fiscalização e a inexistência de uma política consistente de gestão de resíduos são apontadas como falhas graves na abordagem da Câmara Municipal, que, segundo Filipe Silva, tem se limitado a encontrar soluções de emergência sem resolver o problema de forma estruturada e duradoura.

Em suma, Filipe Silva considera que a Câmara Municipal de Vila Verde precisa urgentemente de uma nova abordagem, com mais planeamento, responsabilidade e transparência na gestão dos resíduos urbanos, para que o concelho possa superar a situação de degradação e garantir um ambiente saudável e sustentável para todos os cidadãos. No entanto, a incoerência da sua posição em relação à privatização e à municipalização do serviço de resíduos levanta sérias dúvidas sobre a credibilidade das soluções propostas.