O almirante Henrique Gouveia e Melo afirma que só decidiu avançar para a candidatura presidencial depois de ter lido um artigo no Expresso que sugeria que Marcelo Rebelo de Sousa procurava travar essa intenção através da sua recondução como chefe do Estado-Maior da Armada. A revelação surge no livro Gouveia e Melo – As Razões, uma longa entrevista conduzida pela jornalista Valentina Marcelino, diretora-adjunta do Diário de Notícias, que chega às livrarias na quinta-feira e será apresentado no dia 24, com edição da Porto Editora.
“Foi esse artigo que me fez definir o rumo. Porque quando o li, fiquei mesmo danado”, diz Gouveia e Melo, referindo-se ao texto assinado por Vítor Matos e publicado em outubro de 2024. Na altura, o jornal avançava que o Presidente da República pretendia mantê-lo à frente da Armada para afastar a hipótese de o almirante entrar na corrida a Belém. Segundo a mesma peça, Gouveia e Melo teria condicionado qualquer recondução a um reforço substancial da capacidade naval, incluindo a eventual aquisição de novos submarinos.
O ex-chefe da Armada apresenta, assim, a origem da decisão como uma reação direta ao que considera ter sido uma tentativa de controlo político da sua carreira e do seu futuro. No livro, o agora candidato descreve esse momento como um ponto de rutura: a perceção de que, para seguir o caminho que entendia ser o seu, teria de o fazer por iniciativa própria e em confronto aberto com o cálculo institucional.
A obra promete aprofundar episódios do período da pandemia, a passagem pela chefia da Armada e a preparação da candidatura presidencial, que, pelo próprio relato, começou não por estratégia de longa data, mas por um choque de vontades.
