A Associação Nacional de Escolas de Condução Automóvel (ANIECA) lançou esta quarta-feira um alerta sobre a “escalada preocupante” de fraudes nos exames teóricos e práticos de condução em vários pontos do país, recorrendo a métodos cada vez mais sofisticados, desde equipamentos eletrónicos escondidos até à utilização de “duplos” para substituir candidatos.
Em comunicado, a associação revela que, nos últimos meses, diversos centros de exame identificaram e reportaram suspeitas de burlas organizadas que demonstram que esta prática ilegal “está a crescer e a evoluir rapidamente”. Segundo a ANIECA, a fraude mais comum nas provas práticas consiste na apresentação de um substituto que realiza o exame em nome do candidato verdadeiro, utilizando o seu documento de identificação e licença de aprendizagem.
A associação refere ainda o uso de auriculares dissimulados, dispositivos eletrónicos ocultos e esquemas de comunicação com o exterior durante a realização das provas, métodos que, no entender da ANIECA, colocam em risco não apenas a integridade do processo de avaliação, mas também a segurança rodoviária.
“Obter um título de condução sem avaliação adequada representa um perigo real para todos os utentes da via pública”, alerta a associação, que representa 730 escolas de condução em Portugal. Face à gravidade da situação, a ANIECA exige medidas imediatas e o reforço de ferramentas de prevenção e deteção de fraude, defendendo alterações legislativas que permitam uma monitorização mais rigorosa das provas de condução.
Entre as propostas apresentadas está a introdução de sanções mais duras para candidatos apanhados em tentativa de fraude, nomeadamente a impossibilidade de frequentar formação ou apresentar-se a exame durante um período mínimo de dois anos.
A associação sublinha que a resposta do Estado deve ser célere para travar um fenómeno que, segundo afirma, compromete a credibilidade do sistema de formação e avaliação de condutores e coloca em causa a segurança rodoviária em todo o país.
