As empresas do setor empresarial do Estado voltaram a registar um agravamento das contas em 2024. Segundo o mais recente relatório do Conselho de Finanças Públicas (CFP), divulgado esta terça-feira, os prejuízos das empresas públicas não financeiras ascenderam a 1,312 mil milhões de euros, traduzindo uma deterioração de 546 milhões face ao ano anterior.

Entre as 93 empresas analisadas (88 não financeiras e cinco financeiras), apenas 36 fecharam o ano com resultados positivos, somando lucros globais de 565 milhões de euros. Em sentido oposto, 35 empresas encontram-se em falência técnica, mais seis do que em 2023, cenário que o CFP considera preocupante para a sustentabilidade das contas públicas. Entre as entidades nesta situação estão a TAP SGPS e a Parvalorem.

Saúde em destaque pelos piores motivos

O setor da saúde volta a assumir o maior peso nos prejuízos. Em 2024, o setor agravou significativamente os resultados negativos, atingindo um total de 1,7 mil milhões de euros. O CFP sublinha que os défices se mantêm “estruturais”, resultantes de “subfinanciamento crónico” e de “custos com pessoal elevados”, fatores que não só pressionam a sustentabilidade financeira das unidades de saúde, como colocam riscos sobre a qualidade dos serviços prestados.

Entre todas as entidades avaliadas, a Unidade Local de Saúde de São José destacou-se pelo maior prejuízo individual, com 150 milhões de euros.

CGD equilibra contas com lucros robustos

Apesar do cenário global negativo, o relatório destaca a contribuição positiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), que registou lucros de 1,7 mil milhões de euros, assumindo-se como um dos principais elementos de equilíbrio nas contas do setor público empresarial.

O CFP alerta que a persistência de várias empresas em falência técnica “compromete a sustentabilidade económico-financeira e aumenta o risco de pressões adicionais sobre as finanças públicas”, recomendando uma reavaliação das estratégias de financiamento e gestão das empresas públicas.

O relatório incide sobre 93 das 146 empresas do Estado, num ano em que o setor volta a evidenciar fortes assimetrias entre áreas lucrativas e áreas cronicamente deficitárias, com o setor da saúde a permanecer como o principal desafio para o equilíbrio financeiro do Estado.