Uma médica endocrinologista foi detida pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeita de envolvimento num vasto esquema de prescrição fraudulenta de medicamentos antidiabéticos, frequentemente utilizados para emagrecimento, a pessoas sem diagnóstico de diabetes. A operação, denominada “Obélix”, decorreu esta quarta-feira e inclui buscas ao consultório da médica numa clínica do Porto.

Segundo a informação confirmada pela SIC, a médica é suspeita de crimes de burla qualificada e falsidade informática. Em causa está a emissão de mais de 65 mil embalagens de medicamentos como Ozempic, Victoza e Trulicity, prescritas a 1.914 utentes, registadas como receita comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). Estas prescrições representam 9,4% do total do valor de receitas do SNS na farmácia, num montante que ultrapassa 9,7 milhões de euros.

A PJ explica, em comunicado, que foram recolhidos “fortes indícios” que relacionam o esquema fraudulento com duas médicas, um advogado e uma clínica médica. A investigação indica que a médica Graça Vargas registava falsamente os utentes como diabéticos para que estes obtivessem a comparticipação estatal, que pode chegar aos 95% do valor do medicamento quando existe diagnóstico confirmado da doença.

De acordo com os investigadores, “os suspeitos provocaram um prejuízo ao Estado Português que poderá ascender a cerca de três milhões de euros”, valor correspondente às comparticipações indevidamente pagas.

A operação envolveu 40 operacionais e incluiu buscas a residências, a um escritório de advogados, a um estabelecimento de saúde, à sede de duas empresas alegadamente de fachada — situadas em Albufeira e no Funchal — e a gabinetes de contabilidade em Santa Maria da Feira e Lousada.

A médica detida será presente a primeiro interrogatório judicial para determinação das medidas de coação. A investigação prossegue sob a direção do DIAP Regional do Porto.