Rui Tavares acusa Governo de estar “na sombra do Chega” e sem rumo em matéria de imigração

Rui Tavares, deputado do Livre, voltou a criticar o Governo de Luís Montenegro, acusando-o de ceder à agenda do Chega, particularmente no que diz respeito à questão da imigração. Segundo o parlamentar, o primeiro-ministro e o Executivo “não têm uma ideia própria” e acabaram por colocar André Ventura no centro das decisões sobre o tema.

Em declarações hoje no Parlamento, Tavares sublinhou que, na área da imigração, o Governo deu toda a liberdade ao Chega, e que, apesar de o primeiro-ministro ter optado por dialogar com os grupos parlamentares, incluindo o Livre, o resultado final foi uma “farsa”. Para o deputado, o Governo acabou por fazer o que o Chega queria, sem uma linha própria de ação.

O parlamentar do Livre também reagiu à recente intervenção de Hugo Soares, do PSD, que afirmou que “o não é não” ainda continua em vigor. Tavares criticou o posicionamento do PSD, dizendo que o partido deveria ser mais responsável e combater a desinformação, a desumanidade e a retórica de ódio da extrema-direita.

Governo fez de André Ventura, não líder da oposição mas “líder da situação”

Em relação à imigração, Tavares foi ainda mais contundente, referindo que o Governo não apenas ignorou a oposição, mas fez de André Ventura “líder da situação”. “O Governo sombra já está aqui, na sombra do Chega e sem sombra de uma ideia”, afirmou, acusando o Executivo de se alinhar com as propostas da extrema-direita em vez de apresentar uma política própria e equilibrada.

Para concluir, Tavares fez uma crítica ao tratamento dado à proteção de dados, referindo-se ao caso da empresa Spinumviva. “Os nomes das crianças lidos por Ventura têm mais proteção do que os clientes da Spinumviva”, disse, questionando a falta de ação do Governo em defesa das crianças e em comparação com a proteção dada aos interesses privados.