O líder do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, reagiu esta terça-feira às recentes declarações da Aliança Democrática (AD), em particular, às medidas aprovadas em conjunto com o Chega, e pediu explicações ao líder do PSD, Luís Montenegro, sobre o alegado “princípio de acordo” entre o Governo e o partido de extrema-direita.

Na sua intervenção, Carneiro começou por criticar a política do Governo, que considera caracterizada por “medidas avulsas” e a falta de uma visão estratégica para o desenvolvimento económico do país. Acusou a AD de adotar uma postura de “sim é sim”, referindo-se à recente aprovação, com o apoio do Chega, da urgência de votação das iniciativas relativas à imigração, e desafiou: “Não nos habituamos.”

Em resposta à frase “habituem-se” proferida pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, Carneiro afirmou que a AD alterou a política de “não é não” para um “sim é sim”, uma mudança que considera prejudicial à coesão social e que coloca em risco os valores de liberdade, justiça, igualdade e humanismo, defendidos pelo PS.

O líder socialista também se mostrou preocupado com a “falta de opções” por parte do Governo nos últimos meses, referindo que se sente um “apagão nas opções de política pública” e que o país enfrenta um vazio em termos de ações governamentais concretas. Carneiro expressou ainda a sua perplexidade com a “mistura leviana” entre imigração, nacionalidade e segurança, considerando uma grave irresponsabilidade tratar todos esses temas de forma indiscriminada. Reforçou, apelando à necessidade de maior “consciência” sobre os impactos dessas opções, especialmente no que diz respeito aos países de língua oficial portuguesa.

Embora não tenha mencionado diretamente o líder do Chega, André Ventura, Carneiro referiu-se ao deputado como sendo “um fanfarrão” e expressou surpresa pelo seu comportamento no Parlamento, sublinhando que nunca tinha presenciado algo semelhante. Em relação a Montenegro, o líder do PS exigiu explicações sobre o alegado “princípio de acordo” entre o Chega e o Governo, um acordo que, segundo o Chega, existiria para o apoio a determinadas medidas.

No final da sua intervenção, Carneiro dirigiu-se diretamente a Montenegro, pedindo uma resposta à sua proposta para a criação de uma unidade de coordenação das emergências. E, com uma mensagem clara, avisou: “Se quer levar o seu Governo para os braços da extrema-direita, sabe que contará com a oposição firme do PS.”