António Costa surpreendeu a plateia esta terça-feira, em Nova Deli, ao erguer um passaporte indiano no final do discurso que encerrou a 16.ª cimeira UE-Índia. “Também sou cidadão indiano”, disse, numa referência direta às suas origens familiares, gesto recebido com aplausos numa sala onde se discutia sobretudo comércio, geopolítica e o peso crescente da Índia no tabuleiro global.
O Presidente do Conselho Europeu falava após a conclusão do encontro que assinalou o fecho das negociações para um acordo comercial entre a União Europeia e a Índia. Costa qualificou o momento como “histórico”, sublinhando que o entendimento abre uma nova fase nas relações bilaterais, com impacto direto nas cadeias de valor, na transição digital e na cooperação industrial.
Num tom pessoal pouco habitual neste tipo de fóruns, António Costa ligou a dimensão política à biográfica. Lembrou as raízes familiares ligadas à Índia e defendeu que a proximidade cultural ajuda a explicar a ambição do acordo agora fechado. “Não é apenas economia”, afirmou, apontando para uma parceria de longo prazo baseada em confiança mútua e interesses estratégicos partilhados.
A cimeira de Nova Deli reuniu líderes europeus e indianos num contexto de crescente competição global. O acordo comercial, aguardado há anos, foi apresentado como um sinal de alinhamento num momento de redefinição das alianças internacionais. O gesto final de Costa, passaporte na mão, acabou por marcar a sessão e dar um rosto humano a uma negociação de alcance político e económico.
